Entrevista

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Paulo Dourado

Paulo Dourado

Nascido em Salvador no dia 30/11/55 precisamente às 10:30h, Paulo Dourado é do signo de Sagitário, passou sua infância no bairro do Monte Serrat, começou a trabalhar muito cedo e saiu de casa por volta dos 19 anos. Casado, tem duas filhas de um casamento anterior. Apesar das dificuldades, gosta do que faz, acredita que teve sorte, pois sente-se valorizado com seu trabalho, acredita que no futuro coisas e pessoas serão melhores.

  • Formação

Estudei música (violão clássico) na UCSal e Direção Teatralna UFBA de 74 a 76. Ensinei teatro em colégios públicos -Teodoro Sampaio (Stº Amaro), São Salvador, Central e Severino Vieira; privados - 2 de julho e ensinei Violão no Curso Técnico da UCSal. Em 1979 fui convidado para dirigir o I Curso Livre de Teatro do Teatro Castro Alves e em 1980 fiz concurso e fui contratado para ensinar na Escola de teatro da UFBA. Em 80 uma peça minha “A Terceira Margem” foi convidada para o Projeto Mambembão do Serviço Nacional de Teatro fazendo turnê em SP, Rio, Brasília e BH. Em 1983 fiz seleção e ganhei uma bolsa para fazer mestrado nos Estados Unidos (na State Univ of New York at Albany). Em 86 fui Diretor da Escola de Música e Artes Cênicas da UFBA (o último) e em 90 Diretor da Escola de Teatro. Depois fui Assessor de dois Reitores e ainda na UFBA fui Coordenador de Arte e Cultura e em seguida criei a TVUFBA. Sou membro do Instituto Roerich de Arte e Cultura e do Conselho Curador da Fundação Casa de JorgeAmado. Atualmente dirijo o Theatro XVIII.

  • Seus Hobbies

Acho que pessoas envolvidas com arte são definitivamente monótonas. Eu só trabalho. Acho que o meu “hobbie” é criar novos projetos cada vez mais mirabolantes. Na juventude fui espiritualista e participei de grupos de pesquisa sobre discos voadores e exobiologia (vida fora da Terra). Gosto muito de ler (tudo), adoro cinema e TV, gosto de praia, faço caminhadas, pretendo comprar um caiaque. Gosto também de conversar comos amigos.

  • Destaques, cases de sucesso

Menciono de memória as coisas mais importantes. Em 1979 fui o diretor do I Curso Livre de Teatro e apresentei meu 1º espetáculo no palcão do TCA. Em 1980 fiz a 1º turnê nacional. Em 81 fiz Ubú Rei uma peça extremamente polêmica e que marcou o teatro baiano. Em 83 fui o único brasileiro da área de artes a ganhar uma bolsa da Fullbright Foundation. Em 84 lancei o “Manual de Cri-atividades” meu único livro. Em 86 dirigir A Caverna (W.Smetak) que foi apresentada em Salvador e depois fez uma turnê nacional. Entre 87 e 89 participei e organizei em Salvador uma série de eventos internacionais de teatro. Em 89 criei LosCatedrásticos: Recital da Novíssima Poesia Baiana que ficou 4 anos ininterruptamente em cartaz e é o 2º maior do sucesso do teatro baiano até hoje (o 1º é A Bofetada). Em 92 dirigir A Conspiração dos Alfaiates que lotou a Concha Acústica do TCA em 06 apresentações depois de percorrer vários bairros de Salvador mobilizando cerca de 100 mil espectadores. Em 93 repetir a dose com outra peça histórica - Canudos A guerra do Sem-Fim. Em 95 dirigir Lídia de Oxum – Uma Ópera Negra (a única ópera sinfônica baiana até hoje) com quase 200 artistas em cena que lotou o TCA, o Teatro Municipal de SP e o Teatro Nacional de BSB. Em 98 criei o 2º espetáculo de Los Catedrásticos (o Novíssimo Recital da Poesia Baiana) que também ficou 4 anos em cartaz. Em 2000 dirigir Rei Brasil – Uma Ópera Popular com 400 artistas em cena que foi apresentada em duas temporadas na Concha Acústica. Entre 2001 e 2007 dirigir a TV UFBA, o Festival Universitário de Música de Bahia além de outros projetos como Concertos Populares da Orquestra Sinfônica, Recepção Calourosa, Encontro Nacional de Reitores sobre Educação e Cultura. Em 2011 dirigir em março a 1ª edição da Paixão de Cristo apresentada para 25 mil pessoas na Concha Acústica e em novembro o musical Búzios: A Conspiração dos Alfaiates também na Concha. Em 2012 “A Paixão” virou o FAS - Festival Artes do Sagrado englobando concertos sinfônicos, corais, exposições, feira e rota gastronômica. Em 2013 além do FAS dirigir 2 de julho A Ópera da Independência. Em 2014 o FAS (com A Paixão sendo apresentada no Farol da Barra), a cerimônia do Troféu Braskem e o Cortejo Onze Passos na Direção da PAZ envolvendo 39 escolas da SMED. Em 2015 mais uma edição do FAS com a Paixão no Farol da Barra.

  • Projetos Futuros

São muitos projetos. Um site sobre a herança africana no Brasil “Nós Transatlânticos”. Reabrir o Teatro XVIII. Realizar o projeto Teatros do Tempo unindo educação e cultura em torno do tema da Revolta dos Búzios. Concluir uma Tese de Doutorado. Conduzir uma pesquisa sobre os impactos das leis de incentivo fiscal na produção cultural da Bahia. Retomar o projeto da Cidade Cenográfica de Canudos (na cidade de Canudos) que une museu, teatro, artesanato e música; investir em audiovisual de ficção e documentários.

  • Como consegue dar conta de tudo?

Não é fácil por que o financiamento da cultura na Bahia atual regrediu aos níveis da década de 70. Os últimos 08 anos foram marcados por políticas culturais grosseiramente equivocadas. A Bahia foi totalmente colonizada pela cultura do carnaval. Hoje nosso universo cultural está resumido ao trânsito carnaval/São João. Quando acaba um começa imediatamente o outro. Quando acaba o outro começa o um. Destruíram a diversidade, a cultura de qualidade e o prestígio do artista local. Estão usando as verbas da cultura para fazer políticas idiotizadas e aventuras pervertidas e egocêntricas, sem considerar minimamente o interesse público e o bem-estar da população.

  • Estratégia e diferencial para o sucesso

Trabalhar 48h por dia. Ver, ouvir, pensar – ler o mundo. Olhar tudo, estar interessado, estar motivado. Acreditar no público que é quase sempre inteligente e sensível às artes desde que lhe sejam dadas as condições adequadas. Não me sinto melhor que ninguém. Nunca esqueço que o melhor do Brasil é o brasileiro. O melhor da Bahia é o povo. Por isso quero fazer uma cultura de alto nível na rua e de graça.

Paulo faz caminhadas, vai à praia quando pode e freqüenta uma academia de musculação (de leve). Considera que o melhor esporte é a alegria. Gostar de viver bem e estar determinado e muito atento para não deixar cair o astral.

O tempo todo estou em estado de meditação. Tem uma forma de yoga que se chama karma yoga ou yoga da ação. É mais ou menos por aí que vou. O Padre Antônio Vieira disse: “nos dias em que fazemos existimos; nos outros apenas duramos”. Olho e ouço muito tudo: o céu, o mar, as pessoas, os bichos, o vento, as estrelas, as nuvens, os sons, as vozes. Tudo interessa. É tudo muito precioso e incrível. É tudo muito importante, complexo, delicado e rico.

"Vida – agite antes de usar! Depois abuse, sem medo de ser feliz"

As baterias estão sempre sobrecarregadas. O problema não é recarregar. O problema é descarregar. Não conseguir fazer as coisas que vemos que o mundo precisa é oxidante, enferruja, cansa e engorda.

Dicas de um expert no assunto para quem deseja seguir nos segmentos que atua.

A 1ª dica é “desista enquanto é tempo” (mais ou menos como disse o cinquentão Rainer Maria Rilke a um jovem poeta) Viver de arte e cultura é como viver de idéias. É vender idéias e achar alguém que pague por elas. É ser um “fazendeiro do ar” como disse Drummond de Andrade. E ser um artista profissional tem muito pouco a ver com a Arte em si. Se ligue: você pode ter uma outra atividade e ser um artista amador, e isso quer dizer, ser um artista de verdade.

Para isso a 2ª dica: leia todos os livros, veja todos os filmes, veja todas as peças, estude, pratique 48h por dia, pense 72h por dia, aproveite cada oportunidade etc. Para você ter alguma visibilidade na sociedade conectada das redes você vai ter de “sobrar” muito. Não esqueça: todas as portas estão fechadas e trancadas. (Sempre estiveram). Agora se você for capaz de virar uma barata e passar por debaixo delas... aí você vai ter o que merece.

Perfil

Seu desafio é conhecer, estudar, analisar. Não consegue se conformar somente com o que está vendo, com os fatos. Busca explicações mais profundas, escondidas. Busca conhecer-se e usar sua intuição para encontrar o caminho. Especialmente reservado e analítico. Sua grande força é sua profundidade de pensamento. Armazena conhecimento de praticamente cada fonte que encontra. Inteligente, metódico e estudioso as questões espirituais o atraem.

Aproveita momentos de quietude para estar com seus próprios pensamentos e sonhos internos. Utiliza estes períodos para refletir e buscar respostas para aquilo que considera importante. Exigente em seu trabalho e sempre buscando a sua satisfação no que faz. Paulo Dourado é simplesmente GENTE QUE FAZ ACONTECER!

Patrícia Mello

Jornalista MTB 4193-BA

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